A Primeira Guerra Mundial (1914 –
1918)
Os antecedentes ou causas remotas
da Primeira Guerra Mundial
§ A
guerra franco-prussiana em 1871, na qual a França perdeu Alsácia e Lorena à
favor da Alemanha;
§ Os
conflitos entre as potências imperialistas: guerra russo-japonesa (1904/5); a
guerra anglo-boer (1899 – 1902); a guerra hispano – americana (1898);
§ O
processo da unificação da Alemanha e da Prússia pela acção do Primeiro Ministro
Otto Von Bismark;
§ O
surgimento de duas novas potências capitalistas no mundo (os EUA e o Japão);
§ Aumento
de rivalidades militares internacionais pela posse de novos mercados
internacionais;
§ A
corrida ao armamento.
As causas imediatas da Primeira
Guerra Mundial
No
início do século XX, a Europa respirava um clima de paz armada. Entretanto, as
tensões nacionalistas nos balcãs dariam inicio a Primeira Guerra Mundial com o
assassinato do arquiduque Francisco Fernando, príncipe herdeiro da coroa da
Áustria-Hungria em Serajevo, na Bósnia, a 28 de Junho de 1914, por um estudante
nacionalista da Sérvia cujo nome ficou para sempre na história Gravrillo
Prinzip.
Um
mês depois a Áustria não satisfeita com a resposta da Sérvia, então deu o
ultimato para a investigação do caso e punir os autores do crime.
A
Sérvia protegida pela Rússia ignorou o ultimato, o que levou a Áustria declarar
guerra à Sérvia no dia 1 de Agosto de 1914. Era o início da Primeira Guerra
Mundial.
O
atentado de Serajevo foi aproveitado pelas potências para ajustar as “velhas
contas”. O chanceler alemão, a este propósito escreveu para o seu homólogo
Austríaco “agora ou nunca” e deste modo o conflito não só teve o seu início
como também se generalizou por todo o continente europeu e depois pelo mundo.
A generalização do conflito
A
partir de atentado de Serajevo. A Rússia entrou em guerra apoiando a Sérvia
contra a Áustria e Alemanha.
Alemanha
atacou à França. A Inglaterra vendo o avanço alemão aliou-se a França. Japão
declara guerra a Alemanha e ocupou os seus territórios no Extremo Oriente. A
Turquia temendo os russos aliou-se a Alemanha. A Itália declarou guerra à
Áustria.
O decurso da 1ª Guerra Mundial
A
Alemanha tinha um exército muito forte que esperava derrotar os seus inimigos
facilmente, numa guerra relâmpago idealizada em 1905 por Albert Von Schlieffen.
Este plano visava que a vitória total seria possível, evitando duas frentes
porque se esperava que os russos seriam lentos na mobilização dos seus
efectivos e lançariam as forças para a França atacando a Bélgica para evitar
uma contra-ofensiva francesa.
O
plano de guerra relâmpago fracassou quando os russos atacaram a fronteira alemã
tornando a guerra mais prolongada.
As Fases da Primeira Guerra Mundial
1ª Fase – Guerra
de movimentos (1914)
2ª Fase
– Guerra de trincheiras (1915 – 1917)
3ª Fase
– O retorno a guerra de movimentos (1917/8)
1ª Fase – Guerra
de movimentos (1914)
A
Alemanha cumprindo o plano de guerra relâmpago invandiu a Bélgica e penetrou na
França. A intervenção da Rússia, ajudando a Polónia alterou os planos de
alemães que tiveram que dispensar as forças que combatiam contra a França para
fazer face aos russos na Polónia.
Várias
potências aderiram na guerra em cumprimento dos acordos firmados entre eles ou
em defesa dos seus interesses. Por exemplo: a Inglaterra e Itália interveram à
favor dos aliados (tríplice entente) enquanto a Turquia e Bulgária apoiaram as
potências centrais (Áustria-Hungria e Alemanha), abrindo assim a frente
balcânica. A entrada do Japão, no Extremo Oriente, tornou o conflito mundial,
pois atacou as colónias europeias.
2ª Fase
– Guerra de trincheiras ou de posições (1915 – 1917)
Nesta
fase a guerra era de posições, os alemães derrotados na Batalha de Marne pelos
franceses, em Setembro de 1914. Os alemães derrotados não se retiraram dos
territórios ocupados, como alternativa fizeram trincheiras e resistiram a
conta-ofensiva dos franceses. Estes não conseguindo expulsar o inimigo também
fizeram trincheiras (buracos circulantes para guerra) numa linha prolongada,
dando assim o início da guerra de posições que se travou até 1917.
3ª Fase
– O retorno a guerra de movimentos (1917/8)
O
ano de 1917 foi marcante e crucial na história da 1ª Guerra Mundial. Nesta
fase, a marinha alemã fazendo valer o uso dos submarinos bloquearam todos os
oceanos mundiais e mares interiores. Foi neste âmbito que a Alemanha atacava
todos os navios, incluíndo dos países neutros na guerra, como é o caso dos EUA.
Esta situação afectou a economia americana, uma vez que as suas mercadorias
eram cedidas a título de crédito e que os aliados deviam pagar posteriormenete.
Foi nesta sequência que os submarinos alemães atacaram a marinha mercantil
americana, afundando o navio transatlântico “Vigillentia” em 1917 e foi o
grande motivo forte da entrada dos EUA na 1ª Guerra Mundial. A entrada dos EUA
contrabalançou os acontecimentos à favor dos aliados.
Em
Outubro de 1917, triunfou na Rússia a Revolução Socialista o que fez com que a
Rússia abandonasse o teatro de guerra, ao assinar com a Alemanha o tratado de Brest-Litovsk, em Março de 1918.
A
Itália foi derrotada pela Áustria na Batalha de Carpetto, o que permitiu aos
Impérios Centrais virarem as suas intenções para frente Ocidental.
A
entrada dos EUA trouxe mais valia e dinâmica aos aliados, o que permitiu a
retomada da guerra dos movimentos, com o uso do novo e mais moderno equipamento
militar (tanques, navios de guerras e aviões de combate).
Os
Impérios Centrais (Alemanha, Bulgária, Turquia e Áustria-Hungria) sucumbiram
ante a contra-ofensiva dos aliados (EUA, Inglaterra, França, Itália e Japão). A
11 de Novembro de 1918, o governo social democrático alemão estabelecido depois
da fuga do Kaiser assinou o Tratado de Rothondes. Era o fim da Primeira Guerra
Mundial.
A Entrada dos EUA na Primeira
Guerra Mundial em 1917
Os
EUA sentiram-se obrigados a entrar na 1ª Guerra Mundial quando a Alemanha
atacou a costa Atlântica violando a integridade da Bélgica (país neutro),
invandido a França, atacando a Inglaterra, pois é, a Alemanha pretendia isolar
a Inglaterra dos EUA. Outro motivo da entrada dos EUA, era de um lado
beneficiar-se da partilha das colónias depois da guerra, outro motivo era um
dever apoiar a Tríplice Entente porque esta tinha contraído enormes dívidas aos
banqueiros norte-americanos, sobretudo a França e Inglaterra.
Com
a rendição da Alemanha que era a potência mais forte e mais desenvolvida
naquela época, os EUA passariam a ocupar a tal posição na economia mundial.
As Conferências pós – guerra e a
SDN
1.
A
Paz de Wilson (1918)
Teve
lugar no início de 1918, sob a iniciativa do Presidente norte americano Woodrow
Wilson que defendia que era necessário uma “paz sem vencedores” baseada nos 14
pontos, dos quais os mais importantes eram:
“a guerra terminaria sem vencedores (...); o princípio de
autodeterminação dos povos (...); criação de uma liga das Nações, a SDN (...)
com poderes para arbitrar conflitos internacionais”. Contudo, as potências
europeias não concordaram a aplicação dos 14 pontos de Wilson, uma vez que
Alemanha estava pratica e completamente derrotada, com a fuga de Kaiser.
2.
Conferência
de Paris (18 - 20 de Janeiro de 1919)
Esta
Conferência de Paris reuniu as potências vencedoras para elaborar tratados que
garantissem uma paz duradoura; criar uma organização internacional que pudesse
velar pela paz – A Sociedade das Nações; reafirmar o direito dos povos à
autodeterminação.
Estiveram
presentes 70 Delegados de 27 países que tinham participados na guerra ao lado
dos aliados (Inglaterra, EUA, França, Itália, Rússia e Japão). Os EUA foram
representados por Wilson, a Inglaterra pelo então Primeiro-Ministro Leopold
George, a França pelo Chanceler Clemenceau
e a Itália por Orlando.
3.
Conferência
Versalhes (28 de Junho de 1919)
Esta
Conferência tinha como objectivo promover a paz com a Alemanha e, por isso,
foram tomadas as seguintes medidas:
·
A Alemanha devia devolver (ceder) a
Alsácia e Lorena à França e possessões, títulos e direitos coloniais
ultramarinos à favor das potências vencedoras;
·
A Alemanha é totalmente desarmada,
integrando os seus navios e submarinos aos países vencedores;
·
A Alemanha é interdita de ter aviões
militar e marinha de guerra; de ter um exército com mais de 100 mil homens;
·
A Alemanha devia indemnizar os países
por ela destruídos na guerra;
·
O Império Austro-húngaro foi desmembrado
e deu lugar a Checoslováquia, Hungria, Áustria e Jugoslávia.
A criação da Sociedade das Nações
(SDN)
Após
a 1ª Guerra Mundial foi criada a SDN a 28 de Abril de 1919. A SDN foi proposta
do Presidente dos EUA Woodrow Wilson na conferência de Paz de Paris.
Os objectivos da SDN
eram:
§ Garantir
a paz e segurança dos Estados;
§ Arbitrar
conflitos internacionais para evitar que fossem resolvidos por meios militares;
§ Lutar
para reduzir a corrida ao armamento;
§ Protecção
de interesses das minorias;
§ Promover
a cooperação económica, financeira, social e cultural entre as nações de modo
igual e equilibrado; etc.
Fracasso da Sociedade
das Nações (SDN)
§ A
divergência entre a França e a Inglaterra;
§ A
Ausência dos EUA em virtude do Senado americano não ter concordado com os
pressupostos de Versalhes, mas ainda acreditava nos 14 pontos de Wilson;
§ Falta
de uma força militar que pudesse intervir à favor da paz e arbitrar conflitos.
A
SDN dispunha de uma força que não chegou a ser utilizada. O seu fracasso
deveu-se pelo facto de não ter evitado as novas as anexações levadas a cabo
pelo Japão, Itália e a Alemanha que ditaram a eclosão da 2ª Guerra Mundial
(1939 – 1945).
Os
países derrotados na 1ª Guerra Mundial pediram a revisão do Tratado de
Versalhes. Para a Alemanha, este tratado foi uma grande humilhação por isso
preparou-se secretamente para a Segunda Guerra Mundial, daí que muitos
analistas políticos consideram que a 2ª Guerra Mundial é a continuação da 1ª
Guerra Mundial.
As consequências da Primeira Guerra
Mundial
§ Houve
mais de 13 milhões de mortos, mais de 19 milhões de feridos, cerca de 3 milhões
de inválidos entre civis e militares;
§ Assistiu
uma baixa produção industrial e agrícola;
§ A
Alemanha indemnizou todos os países por ela destruídos;
§ A
Alemanha fez a devolução das cidades de Lorena e Alsácia à favor da França;
§ A
Alemanha perdeu as suas colónias à favor das potências vencedoras;
§ A
Europa perdeu os seus mercados internacionais à favor dos EUA e Japão;
§ Houve
défice na balança de pagamento;
§ Houve
destruição de infra-estruturas sociais e económicas;
§ Os
EUA passaram do país devedor (1914) para credor da Europa (1919);
§ De
1919 à 1919, os EUA conheceram a Era de prosperidade que atingiram o seu auge
em 1929;
§ Houve
empobrecimento das classes médias;
§ O
mapa político europeu foi alterado;
§ O
triunfo da Revolução Socialista de Outubro de 1917 na Rússia;
§ Os
tratados assinados levaram ao desmembramento da Áustria-Hungria e a
independência da Polónia;
§ A
criação da sociedade das Nações em Abril de 1919, com sede em Genebra.